Hoje em dia, não faltam recursos tecnológicos para auxiliar no aprendizado e no entretenimento das crianças. Mas antes de entregar o celular, o tablet ou controle remoto da TV na mãozinha delas, é importante que se saiba que toda essa exposição pode ter implicações na saúde dos pequenos. 

A Academia Americana de Pediatria, por exemplo, recomenda que crianças de 2 a 5 anos não passem mais de uma hora por dia em frente a uma tela; e que bebês abaixo dessa faixa etária não devem ser expostos a gadgets ou aparelhos de TV. 

Mas quais os riscos dessa exposição?

Recentemente, o jornal americano Washington Post publicou uma matéria com o resultado de um estudo realizado pela Lancet Child & Adolescent Health, com 4500 crianças, entre 8 e 11 anos. De acordo com os pesquisadores, crianças que usam smartphones e outros dispositivos em seu tempo livre por menos de duas horas por dia apresentam melhor desempenho em testes cognitivos que avaliam seu pensamento, linguagem e memória. 

O estudo também mostrou que, apesar das recomendações dos especialistas, sessenta e três por cento das crianças passavam mais de duas horas por dia olhando para as telas, não conseguindo cumprir o limite indicado pelos médicos. 

E aí? Como conseguir reduzir o tempo de tela dos pequenos? 

Para te ajudar nessa missão, separamos algumas dicas que podem ajudar a estabelecer um equilíbrio na sua casa. Confira: 

Dê exemplo

Não adianta insistir para o seu filho se desligar dos aparelhos eletrônicos quando você é escravo da tecnologia e passa boa parte do tempo em casa com o celular na mão, notebook no colo ou na frente da TV. Lembre-se que os bons hábitos se estabelecem pelo exemplo (e os maus também). Por isso, policie-se.

Esteja atento às novidades

A maioria as crianças já sabe mais de tecnologia do que seus próprios pais. Portanto, se atualize sobre quais são as “modinhas” do momento e conheça a fundo as plataformas e os aplicativos que seu filho está usando. Essa é a única forma de você informá-lo dos riscos e dos perigos, sem fazer uso de discursos alarmistas vazios e infundados. 

Estabeleça locais “offline”

Escolha determinados locais da sua casa em que os aparelhos eletrônicos não serão permitidos. A mesa de jantar e o quarto de dormir são bons exemplos de locais onde o regime “offline” deve prevalecer. Assim, você estimula a realização de outras ações, como as conversas em família, os deveres de casa e o entretenimento tradicional, como brinquedos, jogos, livros, etc.  

Defina um momento do dia para que todos estejam desconectados

Que tal propor um horário do dia para que todos os membros da família se mantenham longe do mundo virtual? Essa tática por ser excelente para que vocês consigam ter um tempo de qualidade em família, sem TV, videogames e computadores. Acredite, um momento de desintoxicação digital irá fazer bem para todo mundo. 

Monitore o ambiente

Tenha controle sobre os conteúdos aos quais as crianças estão sendo expostas. Use as senhas de proteção disponibilizadas pelas TV’s a cabo para o bloqueio de programação de acordo com as faixas etárias, instale as versões kids de aplicativos como o Youtube, por exemplo, e sempre esteja por perto quando eles estiverem conectados. Limitar o uso do fone de ouvido também pode ajudar a acompanhar atentamente o que está sendo assistido e jogado online. 

Seja claro sobre os riscos

Esqueça as proibições sem justificativa plausível. Seja claro com as crianças e explique que ficar muito tempo na frente de uma tela poderá trazer sérios riscos à visão, por exemplo, fale sobre a luz azul e seus malefícios, enfim, contextualize sua postura. Crianças que entendem que “não é saudável assistir muita TV” têm menos chances de quebrar as regras do que as crianças que pensam apenas que “não podem assistir à TV porque os pais são maus”.

Encoraje outras atividades

Incentive seus filhos a se envolverem em atividades que não envolvem telas. Para tornar o momento ainda mais prazeroso, aproveite e apresente para eles alguns dos brinquedos clássicos que faziam sucesso na sua época. Vocês podem brincar juntos e ainda garantir ótimos momentos em família. 

Infelizmente, a massificação dos recursos tecnológicos vem transformando a  maneira como os pais interagem com seus filhos. Algumas dessas mudanças podem ser extremamente positivas, como a facilidade de contato e a possibilidade de, com uma simples mensagem, saber onde e com quem as crianças estão. No entanto, não podemos esquecer que algumas dessas facilidades podem trazer impactos negativos. Por isso, tenha em mente que nada jamais irá substituir a presença familiar e que é preciso trabalhar a tecnologia a nosso favor e não ao contrário.