Não adianta tentar fugir do assunto e pensar que as crianças não vão perceber o que está acontecendo: em algum momento vai ser inevitável conversar com elas sobre o coronavírus e suas implicações diretas na rotina atual das pessoas.

Com as aulas interrompidas, a possibilidade de muitos pais começarem a fazer home-office e com os passeios reduzidos ou mesmo cancelados, fica difícil que elas não percebam que algo diferente está acontecendo.

Além disso, dependendo da faixa etária dessas crianças, elas provavelmente já ouviram muita coisa  sobre o assunto, seja na escola, na mídia, na internet ou numa rodinha de amigos. E é totalmente compreensível que estejam assustadas, estressadas ​​e preocupadas. Por isso, seja honesto com elas e certifique-se de garantir que todos estejam atentos às boas práticas de higiene. 

Reforce os bons hábitos

Um truque que se popularizou bastante na Internet e que vem sendo cada vez mais usado para educar as crianças sobre a importância de lavar as mãos em meio a essa pandemia é o que mistura pimenta do reino, óleo, sabão e água. O vídeo começou a ser veiculado no exterior, por meio de uma professora da Flórida, mas já ganhou diversas versões aqui no Brasil.  Uma delas foi feita pelo apresentador Luciano Huck, com sua filha Eva e você pode assisti-lo abaixo:

Para os especialistas, essa experiência é muito válida para ilustrar de forma simples para os pequenos como o sabão age contra o coronavírus, ajudando a mantê-lo afastado de nós. 

Segundo a professora Lucy Rogers, da Universidade de Brunel, no Reino Unido, que também compartilhou a experiência no aplicativo Tik Tok, o processo é bem simples. “A pimenta representa o vírus, o óleo é a gordura que mantém o vírus unido e a água é apenas água. Se eu colocar o dedo nessa mistura, nada acontece, mas se eu colocar sabão em minhas mãos, toda a pimenta – ou o vírus – desaparece”, explicou. Ainda de acordo com a professora, isso acontece porque as moléculas do sabão quebram a gordura que mantém os microrganismos unidos. 

Além de ser extremamente ilustrativa e esclarecedora, a experiência é super fácil de fazer em casa e pode servir como um excelente estímulo para que a limpeza das mãos seja feita com mais frequência. 

Outra iniciativa interessante nesse sentido foi a de uma professora do Missouri, que passou a carimbar as mãos dos alunos no início das aulas. “Se eles lavassem as mãos adequadamente ao longo do dia, o carimbo seria apagado. E os alunos que conseguissem isso, receberiam um prêmio no final do dia”, explicou a professora ao jornal Metro News

Uma outra tática super simples e que pode ajudar os pequenos a desenvolverem novos hábitos de higienização, principalmente das mãos.

Esteja aberto ao diálogo

Outro ponto importante nesse momento é não fugir da conversa. Por isso, esteja aberto ao diálogo e deixe as crianças perceberem que podem tirar suas dúvidas sobre o coronavírus. Lembrando que, crianças muito pequenas precisam de informações breves e simples e, principalmente, da garantia de que elas estão seguras e de que as pessoas com quem se preocupam também estão. Isso porque evitar o pânico é essencial nesse momento. Por isso, diga que enfermeiros e médicos estão trabalhando duro para garantir que todo mundo permanecerá saudável e que cabe a cada um de nós fazer a nossa parte também.

Se as crianças já forem mais velhas podem precisar de um pouco mais de detalhes. Neste caso, forneça ou direcione-as para onde possam encontrar informações precisas e factuais sobre o assunto. Mas lembre-se: evite parecer excessivamente preocupado, para que a sua ansiedade não deixe a criança ainda mais assustada. 

Segundo recomendação da Unicef, compartilhar boas e bem sucedidas histórias sobre como profissionais de saúde, cientistas e a comunidade como um todo estão trabalhando para impedir o surto também pode trazer um grande conforto para os mais jovens. 

E, claro, esteja sempre atento às demais orientações da Organização Mundial da Saúde: reforce a importância de evitar tocar olhos, nariz e boca com as mãos, não compartilhar objetos de uso pessoal e evitar aglomerações.