Se na vida adulta, os amigos são parte fundamental do nosso dia a dia, na infância esse laço é ainda mais importante, pois ajuda no crescimento e no desenvolvimento social e emocional. Isso porque é através dos amigos que nós trabalhamos questões como altruísmo, auto-estima e autoconfiança. De acordo com especialistas, as amizades permitem que as crianças aprendam mais sobre si mesmas e, dessa forma, desenvolvam sua própria identidade. 

Inclusive, muitos teóricos vêem o desenvolvimento das amizades de maneira semelhante a outras áreas do desenvolvimento humano, passando por estágios progressivos.

No primeiro estágio (até os sete anos) a amizade estaria baseada em considerações físicas ou geográficas, sendo bastante egocêntrica. Um amigo é um companheiro de brincadeira que mora perto e tem brinquedos “legais”.

No segundo estágio (entre sete e nove anos) é quando eles começam a entender conceitos como reciprocidade e a desenvolver uma consciência dos sentimentos do outro.

Passando ao estágio pré-adolescente (de nove a doze anos) as amizades tendem a se basear no padrão de dar e receber, ou seja, os amigos agora são vistos como pessoas que se ajudam. É aqui que as crianças percebem que podem avaliar o comportamento de seus amigos e que seu comportamento pode ser avaliado também. A confiança, uma referência de amizades maduras, vai começar a aparecer pela primeira vez. As brigas entre amigos não são tão facilmente “consertadas” quanto na primeira infância. Em vez disso, desculpas e explicações passam a ser necessárias.

Quando começa a adolescência, as amizades assumem um significado mais crucial e são multifacetadas. À medida que os adolescentes se tornam mais independentes de suas famílias, eles dependem cada vez mais de amizades para fornecer apoio emocional. É aí que o padrão maduro de amizade se desenvolve, aprofundando questões como confiança e intimidade, e elevando o padrão de empatia. 

Nessa fase, as amizades também fornecem muitas estruturas de desenvolvimento que são benéficas à saúde e às competências psicológicas. Isso inclui oportunidades para se conhecer e desenvolver uma compreensão mais profunda do outro.

Ou seja, não restam dúvidas de que ter amigos é extremamente importante para as crianças.  E é importante termos em mente que, embora as amizades sigam uma sequência de desenvolvimento um tanto previsível, nem todas as crianças progridem na mesma proporção e os atrasos não são necessariamente preocupantes. 

Além disso, é preciso cuidado para que os pais não interpretem o desejo de seus filhos por brincadeiras individuais como uma dificuldade ou um problema de relacionamento, pois essa pode ser uma suposição incorreta. Se isso acontece por aí, converse com a criança e tente entender suas necessidades e o que ela sente. Por mais importantes que sejam as amizades, as crianças podem querer desfrutar de momentos mais introspectivos. Assim como muitos adultos. E tudo bem. Lembre-se que, às vezes, passar um momento com a gente mesmo também é extremamente saudável.