O que as crianças aprenderam com a pandemia?

Muitos deles não sabiam o que era uma pandemia, nunca tinham ouvido falar em quarentena e sequer haviam cogitado a possibilidade de um dia precisarem se afastar de quase todo mundo que fazia parte do seu convívio social. Mas, do dia para a noite, tudo isso aconteceu. 

E embora o vírus em si possa ter sido mais leve e menos fatal em crianças, o impacto disso tudo na mente delas ainda é incalculável. Isso porque tudo que elas conheciam sobre o mundo, de uma hora para outra, passou a ser questionado e os seus conceitos de certeza, segurança e rotina foram colocados à prova. As escolas foram fechadas, os avós foram mantidos à distância, as férias foram canceladas, os aniversários não foram celebrados como deveriam e as crianças sofreram. 

No entanto, como sempre acontece nesses eventos de relevância mundial, toda essa experiência resultou em aprendizado, maturidade e muita sabedoria. O vírus foi forte? Foi! Mas muitas crianças, ao que parece, sairão disso tudo ainda mais fortes. E nós trouxemos algumas histórias para compartilhar com vocês e mostrar, do ponto de vista delas, como foi lidar com toda essa enxurrada de informação. 


Eduardo D’Elia Klemmann – 12 anos

“Eu imaginava que pandemias fossem menos piores do que isso”

“No início, não pensei que seria algo tão grande, mas depois da primeira ou segunda semana me senti triste. Não gostava das aulas online, pois era muito difícil prestar atenção e muitas vezes chamava o professor e ele não respondia. Além disso, precisei parar de praticar os esportes que eu gostava, não podia mais ir para a escola, nem para a casa dos meus amigos. Tinha muito medo de me contaminar, mas principalmente, de contaminar meus familiares. Em determinado momento, minha mãe chegou a ser diagnosticada com a doença e precisei ficar longe dela. Isso me deixou bem deprimido e preocupado. Acho que o que eu mais senti falta foi de encontrar meus amigos na escola ou de ir até a casa deles. Assim que as medidas de restrição foram reduzidas, a primeira coisa que fiz foi voltar à escola e fazer os esportes de lá. Gostaria muito de poder voltar a praticar esportes fora, mas acho que ainda não é possível porque ninguém usa máscara. Eu imaginava que pandemias fossem menos piores do que isso”. 


Lavínia Diniz Momberg – 13 anos

“Sou uma melhor versão de mim agora do que no início da covid”

“No início eu pensei que seria por pouco tempo e logo voltaria ao normal. Mas conforme o tempo foi passando, eu fui ficando mais incomodada e com saudade de estudar com pessoas ao meu redor, e não com telas online. Eu até cheguei a pensar que esse era um meio interessante de estudo, mas depois eu percebi que é o oposto. Mesmo sendo o tipo de estudante que consegue entender fácil as matérias, eu admito que não conseguia focar nas aulas. Além disso, eu sempre fiz diversos cursos de passatempo, como teatro e dança, e precisei parar tudo. De repente, os meus dias se tornaram extremamente monótonos, eu fazia exatamente as mesmas coisas e não tinha vontade de mudar isso. E com certeza eu senti saudade de ver meus parentes distantes, sentar em uma sala de aula e rir com meus amigos, sair com eles, abraçar, enfim, ter contato humano que não fosse apenas dos meus pais. Mas ao mesmo tempo aprendi que existe um equilíbrio, que as pessoas precisam das outras tanto quanto o ar que respiramos. Mas também precisamos dos nossos momentos sozinhos, para nos conhecermos melhor. Com certeza todos nós mudamos por conta da pandemia, aprendemos mais sobre nós mesmos. Mas uma coisa que não mudou é a saudade que nós sentimos, eu senti saudade todos os dias durante esses dois anos loucos. Saudade de como a vida era mais simples antes da pandemia. Mas, sem dúvidas, eu não viajaria no tempo pra pular a pandemia, eu acho que eu sou uma melhor versão de mim agora do que no início da covid”. 


Manuella Serralha Pereira Silva – 10 anos

“Meu maior medo era de que as coisas nunca mais voltassem ao normal”

“Quando me disseram que as escolas seriam fechadas, eu fiquei chocada. Não sabia que existia esse sistema de aula online, então eu não tinha ideia de como ia ser. E quando elas começaram eu não gostei. Em casa a gente tem muita distração, era difícil de acompanhar as matérias e as minhas notas começaram a diminuir. Eu também sentia falta dos meus amigos, de sair com eles, das excursões da escola e dos passeios com os meus pais. Meu maior medo era de que as coisas nunca mais voltassem ao normal e a pandemia durasse mais uns 10 anos. Para piorar, duas amigas minhas pegaram a doença. Uma delas, a Olívia, é minha amiga desde o jardim de infância e eu fiquei muito mal e preocupada quando soube que ela estava doente. Foi bem difícil. Hoje eu aprendi a dar mais atenção aos cuidados de higiene, lavar as mãos com mais frequência, usar o álcool em gel, evitar colocar a mão na boca, essas coisas. Mas usar a máscara o tempo todo ainda é muito ruim, principalmente nas aulas de Educação Física. Então eu não vejo a hora de tudo isso acabar, para não precisar mais disso e poder dar uma grande festa, com todo mundo se divertindo junto, sem me preocupar com distanciamento”. 


Lucca Pacheco Ambrósio – 5 anos

“Quando está com vírus a gente não pode sair de casa

“Quando as escolas fecharam eu me senti muito trancado em casa. Fiquei chateado, entediado e sem conseguir pensar em coisas para brincar. Eu gostava muito de ir nos parques, nas lojas e de brincar na rua. Senti muita falta disso. Acho que as aulas online foram uma boa ideia, porque quando está com vírus a gente não pode sair de casa. Quando voltei pra escola, em agosto, fiquei com medo e um pouco triste, mas depois passou. Também gostei muito de voltar a brincar nos brinquedos do shopping”.